Não sei se alguém já reparou, mas a primeira frase desta música é «não há pão quente» cantado com a pronúncia da ilha de S. Miguel. Terá o Grunge nascido nos Açores? :-p
Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
Quando uma tipa é cabra, nem a maternidade a muda
O espírito natalício por vezes é o espírito do cão. Tenho a certeza disto, em especial, quando ou a lojas de brinquedos e roupa para crianças. Há muitas mães que só me apetece dar-lhes uma bolachada e perguntar-lhes porque é que são tão mal-educadas. Confesso que isto me deixa doente. Continuo a achar que há pessoas que vão criar os filhos à sua imagem e, como tal, vão criar seres tão desrespeitadores e mal-educados como elas.
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Hoje na Chicco, uma mãe que pensou que eu lhe estava a passar à frente, fez um escândalo com as senhoras da loja, porque pediram as minhas coisas para embrulhar em vez de pedir as dela. Podia ter dito simplesmente «eu estou primeiro». A empregada diria «desculpe» e estava o caso arrumado. Depois de eu ser atendido uma das empregadas disse «esta caixa vai fechar». A senhora que estava a seguir a mim disse «eu acho muito mal, já viu que temos estado à espera aqui na fila?», a empregada respondeu «mas eu tenho de jantar porque vou ficar a fazer turno até às 24h e demoro pouco», a senhora (ou melhor, cabra snob) atrás de mim continuou «pois fique a saber que eu acho muito mal, daqui a pouco tenho de ir buscar o meu filho à escola e é uma falta de respeito». Parece que o facto de ser mãe lhe dá algum direito especial e que as empregadas de uma loja não são pessoas.
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Que as pessoas estão cada vez mais egoistas e rudes, é um facto. De qualquer forma, sempre pensei que a maternidade pudesse amaciar a "aspereza" de algumas gentes. Às vezes dou por mim a desejar que algumas pessoas fossem estéreis e isto também não é bonito. Há que respirar fundo e pensar que faz parte da diversidade da espécie.
Dia de mudanças
Diz-se que «ano novo vida nova». Tomara que seja assim. Hoje toca a empacotar tudo, porque na segunda feira vamos trabalhar em novas instalações. Arrumar ainda é mais chato do que empacotar, mas vamos para um edifício bem melhor. Que seja o início de boas e grandes mudanças.
Quinta-feira, Dezembro 17, 2009
Marcar ponto.
Hoje foi o almoço de Natal da instituição. Foi um pouco estranho. No ano passado fiquei num canto da mesa com um grupo que já se foi embora. Foi muito divertido. Este ano fomos menos e a malta divertida ficou toda em linha, estando de frente para os «menos divertidos» (eufemismo de cortesia). Comi que me fartei, porque a conversa fluia como cimento para lá de apontamentos circunstanciais. Numa zona da mesa, em que os «menos divertidos» estavam de frente para outros igualmente divertidos, não se trocava uma única palavra. Nem um «hoje está calor» ou «o mar está revolto». Nada. Viva as confraternizações institucionais!
O tremor de terra hoje...
Pode bem ter sido a natureza a dizer que se a Conferência de Copenhaga não vai a lado nenhum, mais década menos década está a mandar-nos todos à merda. E como (penso eu que por este andar) não vai mesmo a lado nenhum, o melhor é habituarmo-nos ao castanho.
Quarta-feira, Dezembro 16, 2009
Coco & Igor
O filme que relata a breve affair entre Coco Chanel e Igor Stravinsky em 1920, ano da criação do famoso Chanel nº5, não é uma obra cinematográfica, mas é uma obra cenográfica. A cenografia e o guarda-roupa são belíssimos e o filme é filmado com mestria, ajudando para isso uma actriz que fica bem em qualquer ângulo e que dá uma dimensão quase estatuesca a todos os planos em que aparece. É um filme lento que pretende ser poético e tenso. A tensão está lá: a força da Coco, a religiosidade e o temperamento másculo de Igor, a revolução estética e artística do início do século XX. As personagens estão lá. O desenho está lá. Talvez esperasse eu, um pouco mais de argumento, não obstante reconhecendo que o filme era para ser simplesmente o que é. Um exercício estético e poético.
15/20
Terça-feira, Dezembro 15, 2009
Eventualmente...
...numa próxima vida podemos estar a desejar ser aquilo que somos hoje, por isso, toca a viver muito bem com o que temos e fazer o máximo disso.
Roma II
Era sábado e dormi muito bem. Já não havia dor de costas. Em conversa com a B. disse que andava a tirar um curso de história de arte e que na última aula tinha falado de art noveau e art déco. Isso ditou os planos da tarde. Levou-me a ver um bairro com arquitectura art noveau e de seguida iriamos à Villa Torlonia para almoçar e ver uma espantosa casa em art déco. Fiquei contentíssimo porque não é o tipo de coisa que se saiba que existe em Roma. Na Villa Torlonia comi um Calzone insano. Realmente anda a malta aqui em Portugal a pensar que come italiano e depois bem vistas as coisas, puft...
À noite fomos para a «Música no Museu», uma iniciativa que promove a abertura dos museus durante a noite para receber actividades como música, dança e canto. Gratuito. Fomos surpreendidos (positivamente) por uma banda de homenagem à Gianna Nanini. A miúda tinha uma voz brutal mais potente que a própria Gianna. E para acabar a noite fomos ver outra banda que cantava música soul. WOW... foi só o que me veio à cabeça. Outra miúda, que se fosse preta podia candidatar-se a ser a próxima Aretha.
Roma I
Segunda-feira, Dezembro 14, 2009
Batalha contra o Ego
Já sabemos que «quem conta um conto acrescenta um ponto», o que eu não sabia é que «quem ouve um conto não percebe um ponto e inventa». O caso remonta há anos atrás, mas apenas este fim-de-semana soube que anda por aí a rodar uma versão alternativa do final de uma relação que tive. De repente, eu sou o 'encornador implacável' que "enfeitou" o namorado e o deixou por outro, contribuindo para que ele ficasse em depressão. Ao ouvir isto fiquei indignado. Muito. Porque nada disso aconteceu, e em especial porque o ex-namorado não é pessoa para inventar acontecimentos, logo tudo vem da cabecinha tonta da outra pessoa. A minha vontade imediata foi colocar tudo em pratos limpos e dizer-lhe para se informar da verdade junto do ex. Iniciou-se a batalha contra o Ego ferido a clamar justiça. Dois dias depois acalmei, o Ego ferido perdeu. Que se lixe a história. Não falo com a dita pessoa há uns bons 3 anos e tal, eu e o ex sabemos que sempre nos respeitamos um ao outro e temos uma boa relação. O que importa é isso. A vida segue e quem precisa de histórias da carochinha para ajudar a dar músculo à língua que fique com elas. Peace.
Sábado, Dezembro 12, 2009
11 anos.
Hoje estive com a minha mãe, o Batata e a minha cunhada, na primeira festa de Natal da minha sobrinha no infantário. O meu irmão estava a fazer de Pai Natal na peça que prepararam com os miúdos de todos os anos. Eu fui munido da máquina de filmar, para um «mais tarde recordar». Sempre achei estas coisas uma pepineira (o meu irmão também), mas agora a miúda existe. Há coisas novas que fazem sentido. A vida renova-se. Estivemos todos muito felizes. Há 11 anos atrás, neste mesmo dia, morreu o meu pai que apenas nos pediu para que não o chorássemos, antes o "ríssemos" muito. É a melhor homenagem que lhe fazemos, sermos felizes. Estamos cá, juntos e temos uma vida.
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
Conversas. XXXV
Silvestre: Hoje há um tributo à Nina Simone no Chapitô.
Magda: Não sei quem é, ó J. tu sabes quem é a Nina Simão?
J.: Não conheço nenhuma Nina Simão.
Magda: Quem é? Ninguém ouviu falar de uma Nina Simão.
Silvestre: SIMONE, Nina Simone. É uma cantora.
Magda: Não sei quem é, ó J. tu sabes quem é a Nina Simão?
J.: Não conheço nenhuma Nina Simão.
Magda: Quem é? Ninguém ouviu falar de uma Nina Simão.
Silvestre: SIMONE, Nina Simone. É uma cantora.
Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
Delicioso...
Confesso que não sei se as pessoas nascem com essa característica ou se optam por adoptar o comportamento desviante que a Bíblia, aliás, condena - mas, na minha opinião, os canhotos não deveriam poder casar. Nem adoptar crianças. Um casal de pessoas, digamos, normais, acaricia a cabeça dos filhos como deve ser, da esquerda para a direita. Os canhotos acariciam da direita para a esquerda, o que pode ter efeitos perversos na estrutura emocional das crianças. Na verdade, sou contra a adopção por casais heterossexuais em geral, sejam ou não canhotos. Atenção: não tenho nada contra os heterossexuais. Tenho muitos amigos heterossexuais e eu próprio sou um. Mas não concordo que possam adoptar crianças. Em primeiro lugar, porque é contranatura. Quando olhamos para a natureza, não vemos casais de pardais ou de coelhos a adoptarem crias de outros. Pelo contrário, esforçam-se por colocar as suas crias fora do ninho ou da toca o mais rapidamente possível. Ou usam as suas próprias crias para produzir novas crias. Mas não adoptam. Provavelmente, porque sabem que é contranatura. Por outro lado, a adopção por casais heterossexuais pode condicionar a sexualidade das crianças. Todos os homossexuais que conheço são filhos de casais heterossexuais. A influência de heterossexuais tem, por isso, aspectos nefastos que merecem estudo cuidadoso. Por fim, há a questão do estigma social. Suponhamos que uma criança adoptada por um casal heterossexual é convidada para ir a casa de um colega adoptado por um casal de homens. Como é que o miúdo que foi adoptado por heterossexuais se vai sentir quando perceber que a casa do colega está muito mais bem decorada do que a dele?
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Quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais do que ser a favor de um referendo, sou a favor de vários. Creio que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. O Fernando e o Mário querem casar? Pois promova-se uma grande discussão nacional sobre o assunto. A RTP que produza um Prós e Contras com cidadãos de vários quadrantes que se posicionem contra e a favor da união do Fernando e do Mário. Organizem-se debates entre o Mário e os antigos namorados do Fernando, para que o povo português possa ter a certeza de que o Fernando está a fazer a escolha certa. E depois, então sim, que Portugal vá às urnas decidir democraticamente se concede ao Mário a mão do Fernando em casamento. E assim para todos os matrimónios. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece. (...)
Quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais do que ser a favor de um referendo, sou a favor de vários. Creio que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser referendado caso a caso. O Fernando e o Mário querem casar? Pois promova-se uma grande discussão nacional sobre o assunto. A RTP que produza um Prós e Contras com cidadãos de vários quadrantes que se posicionem contra e a favor da união do Fernando e do Mário. Organizem-se debates entre o Mário e os antigos namorados do Fernando, para que o povo português possa ter a certeza de que o Fernando está a fazer a escolha certa. E depois, então sim, que Portugal vá às urnas decidir democraticamente se concede ao Mário a mão do Fernando em casamento. E assim para todos os matrimónios. Se o objectivo é metermo-nos na vida dos outros, façamo-lo com o brio que essa nobre tarefa merece. (...)
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Excerto da crónica de Ricardo Araújo Pereira na revista Visão de 3 de Dezembro
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
Piada seca XIII
Querido Pai Natal, este ano não quero que me tragas uma Barbie traz antes roupa para as senhoras pobrezinhas que estão nuas no computador do papá.
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Gosto muito de viajar...
... mas, estou cheio de sauudaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesssss.
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Amor ou outra coisa qualquer?
Depois da morte da mulher, um homem vietnamita, dormiu 20 meses em cima da campa, depois escavou um tunel para se proteger da chuva e do frio, até que os filhos o proibiram de ali ficar. Sem solução resolveu levar o corpo em decomposição para casa, onde moldou em barro as partes que faltavam, tendo vestido o corpo com as roupas da mulher. Invocou a necessidade de a abraçar para o que fez. Dormiu ao lado do corpo durente 5 anos até que a situação foi descoberta.
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Apesar dos contornos macabros, parece-me amor. Há pessoas que se recusam a ver aqueles que amam partir. É uma nova encarnação da história de Pedro e Inês, diria eu.
mais informação aqui.
Datas.
A mais velha dos 3 faria hoje 43 anos. Este ano, a data andou presente na minha cabeça mais de uma semana. É estranho lembrarmos tanto alguém que nunca chegámos a conhecer a não ser por fotografias e relatos (vívidos) de quem a conheceu. Se o amor pelo meu irmão deriva em grande parte de ele ser uma extensão dos meus pais, talvez isso justifique a ternura que sinto por uma memória que me foi incutida.
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Há imenso tempo que não ouvia isto.
Não é uma música fácil, mas a textura instrumental deste «Emily» da Joanna Newsom deixa-me completamente apanhado.
Conversas. XXXIV
Borborinha: A minha irmã faz anos amanhã e eu ainda não comprei uma prenda.
Silvestre: Oferece-lhe um livro...
Borborinha: Isso não. A última vez que ofereci um livro, não fui eu que fiquei com ele.
Silvestre: Hã?...
Silvestre: Oferece-lhe um livro...
Borborinha: Isso não. A última vez que ofereci um livro, não fui eu que fiquei com ele.
Silvestre: Hã?...
Os irmãos Bloom

O que aconteceria se o Steven Soderbergh realizasse um filme sobre burlões ao estilo do Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events, provavelmente um filme parecido com este, mas em bom. A ideia base é engraçada, masa realização falha totalmente. Senti que os actores andavam ali abandonados em busca de direcção. O guarda-roupa é confuso (não sei se intencionalmente),o que faz com que muitas cenas pareçam estranhas. Passar de um Ferrari amarelo futurista, para um barco a vapor fluvial que por acaso até parte dos Estados Unidos para a Grécia e volta ao México em duas semanas, é no mínimo caricato. É portanto uma espécie de delírio (seria essa a intenção) que não é porque a história pretende-se dramática e terrena. Tem alguns elementos engraçados e mais nada. Sai-se do filme e não se traz grande coisa. Não posso dizer que tenha saído de lá muito entretido.
10/20
Descobertas

Uma das minhas sobremesas favoritas, senão a favorita, é farófias. Se houve uma invenção abençoada, esta é uma delas. Hoje descobri que é um doce alentejano. Só podia ser. As melhores iguarias vêm do alentejo, gastronomicamente falando quase tudo o que é do alentejo é bom. Doces, carnes, vinhos, nham...
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Relatório Anual da ONU sobre a SIDA
Desde o início da epidemia já morreram 25 milhões de pessoas e cerca de 35 milhões (números conhecidos) estão infectadas com o vírus. No actual momento África é o continente mais flagelado. A região subsaariana possui 67% dos seropositivos no mundo. Por razões culturais e económicas a luta contra as novas infecções tem sido muito difícil.
Nos países ocidentais (ditos desenvolvidos), Portugal e os EUA lideram na lista dos países com novas infecções. Há ainda muita gente a brincar com a saúde e com a própria vida. Lamento.
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Depois de um excelente serão de domingo...
...o circo no trabalho. O que vale é que vim com um excelente sentido de humor. Às vezes penso que não trabalho num organismo público, mas sim numa companhia teatral progressista, daquelas em que não percebemos nada das peças e em que toda a gente parece um bocado louca. E os que têm um ar respeitável, vai-se a ver e também são surreais. Os seres humanos são, de facto, interessantes. No melhor e no pior. Deve ser mesmo um caso de natureza humana.
Domingo, Novembro 22, 2009
Novo habitante cá em casa
Há umas semanas morreu-me uma das Gardénias (o Jacinto), hoje resolvi arranjar outra para fazer companhia à que restava. Espero que o Narciso viva uns aninhos.
Julie & Julia

Como sempre, é delicioso ver a Meryl Streep em mais um trabalho extraordinário de actor. No momento, não me consigo lembrar de outro actor ou actriz que apresente a mesma versatilidade. O filme baseado em duas histórias verdadeiras ganha pela personalidade "borbulhante" de Julia Child, uma figura bem conhecida do mundo da culinária televisiva nos EUA. Quem adora comida, certamente vai adorar ver este filme. Mas quem aprecia feel good movies também. A mensagem de preserverança está lá, a história de amor está lá. A apresentação da relação da Julia Child com o marido é no mínimo inspiradora. O grande problema deste filme é que não se consegue imaginá-lo sem a Meryl Streep.
Ps. Não se consegue deixar de pensar que as personagens femininas do Herman José são inspiradas na Julia Child. Vejam o filme e depois digam-me se sou só eu e o Batata a pensar assim.
14/20
Sábado, Novembro 21, 2009
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